Papa pede que a prática da esmola seja o nosso estilo de vida

| 2018-02-06

Mensagem para a Quaresma

Papa Francisco

O Vaticano divulgou a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2018 que assenta na frase bíblica “Porque se multiplicará a iniquidade, vai esfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12), deixa o desejo de que “a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos!” e acrescenta que gostaria que os cristãos seguissem “o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja”.

Tendo isto por base, o Papa fez dele as palavras de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: “Isto é o que vos convém» (2 Cor 8, 10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade”.

Quanto ao jejum pedido em tempo de Quaresma Francisco alerta que “tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento” e adianta que por um lado, “permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome”. Por outro lado, “expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome”.

Numa abertura total o Papa francisco deixa a vontade de que a sua voz “ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente connosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!”.

Remédio doce de Oração

Por isso, temos que estar atentos porque “a par do remédio, por vezes, amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra oferece-nos, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum”.

E explica o Santo Padre que “Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos, para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.”.

Portanto, o Sumo Pontífice convida os membros da Igreja a “empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar”.

"24 Horas para o Senhor"

E salienta que a ocasião propícia será também, este ano, a iniciativa “24 Horas para o Senhor” que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação, num contexto de adoração eucarística. Uma iniciativa que decorrerá nos dias 9 e 10 de março, inspirado nas palavras do salmo 130: “Em Ti, encontramos o perdão”. O objetivo é que, em cada diocese, pelo menos, uma Igreja fique aberta, durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e de confissão sacramental.

Na sua mensagem quaresmal o Papa ainda lança o alerta sobre os falsos profetas que se “aproveitam das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem”.  E prossegue “Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!”

O Papa vai mais longe e alerta para os outros falsos profetas, os designados “charlatões” que “oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis, mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar”.

Falsos profetas

Portanto, reforça Francisco “cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem”.

E de seguida o Papa questiona: “Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?” e lança a resposta: “O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, ‘raiz de todos os males’; depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n'Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos. Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas”.

Em olhando ao cuidado da “Casa Comum” lembra que “A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte”.

Para ser ainda mais esclarecedor o Papa avança que “o amor resfria-se também nas nossas comunidades” e adianta que na sua Exortação apostólica Evangelii gaudium procurou descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. E segundo Francisco são: ”a acédia egoísmo, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário”.

Por fim, recorda que “Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «lume novo», pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito»,[7] para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor”.

 

 

Partilhe esta notícia

Subscreva a nossa newsletter