As pessoas devem ser prioritárias nas Politicas internacionais

| 2017-12-18

No que diz respeito ao número de refugiados, os números cifram-se em cerca de 65 milhões.

Hoje assinala-se o Dia Internacional das Migrações e as instituições ligadas à igreja Católica vêm a público lembrar que é necessário adotar políticas internacionais que coloquem em primeiro lugar “as pessoas e os direitos humanos”.

Em declarações à Agência Ecclesia Patrícia Fonseca, coordenadora do Departamento de Educação para o Desenvolvimento e Advocacia Social, da FEC, referiu que “é urgente que quem decide e legisla sobre as migrações, ao nível dos países e dos organismos internacionais, coloque a tónica na abordagem humanitária, e não simplesmente na questão securitária”. E aponta como exemplo a Europa, onde em seu entender a “palavra de ordem tem sido muitas vezes o fecho das fronteiras, em vez do acolhimento, face aos refugiados”.

Uma atitude que esquece a realidade do próprio Velho Continente, território onde mais pessoas não vivem no seu país de origem, “mais de 8 por cento”, frisa aquela responsável.

Os últimos dados relacionados com as migrações indicam a existência de, pelo menos, 244 milhões de migrantes, a nível internacional.

No que diz respeito ao número de refugiados, os números cifram-se em cerca de 65 milhões.

Para Patrícia Fonseca, numa altura em que persiste o medo à volta da vida dos refugiados para a Europa, importa “desmistificar alguns discursos” que têm alimentado esses receios e colocado aos migrantes e refugiados “um estigma muito grande”.

Em 2016, numa convenção das Nações Unidas em Nova Iorque, 193 países comprometeram-se a assinar um pacto global a favor dos migrantes e refugiados.

Um acordo que incluiu também a Igreja Católica e as conferências episcopais de cada nação.

“As políticas têm que contar com o fenómeno migratório e por isso queremos que se valorize, que se passe a considerar a migração não como um problema mas como algo que faz parte da sociedade”, sublinha Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa para as Migrações (OCPM).

A responsável por este setor na Igreja Católica em Portugal realça que “se for valorizado o contributo positivo que os migrantes têm para dar, os países terão muito a ganhar”.

Nesse sentido, o trabalho da OCPM está a ir no sentido de contribuir "para uma atitude diferente” da sociedade, face aos migrantes e refugiados.

Portugal, como país historicamente de emigração, tem sido um exemplo positivo nesse sentido mas é preciso continuar a “trabalhar mentalidades”.

“Temos ainda uma população dividida sobretudo com os refugiados. Há vozes que se ouvem, mesmo dentro da Igreja, que não deixam de ser preocupantes”, sustenta Eugénia Quaresma.

(Com Agência Ecclesia) 

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