Clérigos e académicos católicos criticam Papa Francisco

| 2017-09-25

O Sumo Pontífice é acusado de manter “sete posições heréticas referentes aos sacramentos"

Papa Francisco

O Papa Francisco recebeu a carta “Correção fraterna” escrita por um grupo de clérigos e académicos católicos, na qual contestam uma alegada “propagação de heresias” por parte do Santo Padre.

A carta, em português, está disponível na internet e já foi assinada por 62 pessoas de 20 países, nenhum de Portugal, onde questionam certas posições apresentadas na exortação apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia” (A (Alegria do Amor) assim como, outras “palavras, atos e omissões” do Papa.

O Sumo Pontífice é acusado de manter “sete posições heréticas referentes ao casamento, à vida moral e à receção dos sacramentos”.

No documento lê-se que Francisco “apoiou direta ou indiretamente a crença de que a obediência à Lei de Deus pode ser impossível ou indesejável e que a Igreja deve às vezes aceitar o adultério como um comportamento compatível com a vida de um católico praticante”.

Entre os signatários estão monsenhor Bernard Fellay, superior-geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada por D. Marcel Lefèbvre (1905-1991), e Gotti Tedeschi, antigo responsável pelo Conselho de Supervisão do Instituto das Obras Religiosas (o chamado ‘Banco do Vaticano’), demitido em maio de 2012, por Bento XVI.

O texto questiona também a “aparente influência das ideias de Martinho Lutero” sobre o Papa Francisco.

As críticas nestas matérias não são novas e tinham sido abordadas pelo Papa numa entrevista, em novembro de 2016, tendo como pano de fundo a carta enviada por quatro cardeais, entretanto tornada pública, questionando a exortação apostólica "Amoris laetitia" ("A alegria do amor"), após as duas assembleias do Sínodo dos Bispos sobre a família (2014 e 2015), em particular sobre o acesso dos católicos divorciados que se voltaram a casar civilmente aos Sacramentos.

Francisco disse então que a Igreja Católica deve rejeitar o “legalismo”.

“A Igreja é o Evangelho, não um caminho de ideias, um instrumento para as afirmar”, referiu ao jornal católico italiano ‘Avvenire’.

"Alguns – pense-se em certas reações à 'Amoris laetitia' – continuam a não compreender, ou branco ou preto, apesar de ser no fluxo da vida que se deve discernir", acrescentou o Papa.

Francisco sustentou que é necessário “distinguir o espírito com que se manifestam as opiniões”, porque algumas críticas ajudam a avançar, mas outras servem "para justificar uma posição já assumida, não são honestas, são feitas com espírito mau para fomentar divisão".

"Certos rigorismos nascem de uma falha, do querer esconder dentro de uma armadura a própria insatisfação triste", lamentava.

Entre os temas tratados esteve também a viagem à Suécia para assinalar os 500 anos da reforma protestante.

“O proselitismo entre cristãos é um pecado grave, a Igreja não é uma equipa de futebol à procura de adeptos”, referiu Francisco.

O pontífice rejeitou também a acusação de “protestantizar” a Igreja Católica.

"Não me tira o sono. Prossigo no caminho de quem me precedeu, sigo o Concílio" [Vaticano II], assinalou.

(Com Agência Ecclesia)

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