Iraque: Supremo Tribunal de Justiça quer impedir referendo para a independência do Curdistão

| 2017-09-20

Os curdos são actualmente um povo sem pátria

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O Supremo Tribunal iraquiano ordenou a suspensão do referendo de independência previsto para a próxima segunda-feira, dia 25 de Setembro, no Curdistão iraquiano, invocando dúvidas sobre a constitucionalidade desta iniciativa.

O presidente da região autónoma curda, Massoud Barzani, já fez saber que o resultado deste referendo não levará de imediato a uma declaração de independência, mas sim ao início do que classificou como de “discussões sérias com Bagdade”, com o objectivo de se “solucionar todos os problemas”.

A questão da autonomia ou independência curda é muito importante, para não dizer essencial, não só no que diz respeito à integridade territorial iraquiana como se conhece hoje em dia, mas também pelo futuro da comunidade cristã na região.

De facto, milhares de cristãos que foram forçados a abandonar as suas casas durante a agressão jihadista em 2014 encontram asilo precisamente na região de Erbil situada no chamado Curdistão iraquiano.

Caso o referendo avance e dê origem à criação de um Estado independente, resta saber o que irá acontecer às diversas minorias religiosas que vivem nesta região, entre as quais os cristãos e também os yazidis.

Os curdos são actualmente um povo sem pátria, apesar de gozarem de alguma autonomia no chamado Curdistão iraquiano após a queda de Saddam Hussein em 2003. Há fortes comunidades curdas não só no Iraque, mas também na Síria, Irão e Turquia.

Os chamados “pershmerga” – as forças militares curdas – têm vindo a desempenhar um papel crucial na luta contra os jihadistas e na libertação do território ocupado pelo auto-proclamado “Estado Islâmico”, o que dá um relevo incontornável às pretensões curdas.

Este referendo, agendado para o próximo dia 25 de Setembro inscreve-se nessa estratégia de consolidação internacional do Curdistão como parte inalienável no futuro da região.

(Departamento de Comunicação - Fundação AIS - ACN Portugal)

 

 

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