Papa desafia Cardeais a servir quem mais precisa

| 2017-06-28

Papa pede aos Cardeais que olhem para a realidade

Papa Consistório (Foto: Lusa)

O Papa Francisco desafiou, esta quarta-feira, os cardeais a “olharem para a realidade e servirem quem mais precisa” sem se julgarem “príncipes” só por usarem o anel e o barrete que lhes é entregue na véspera da festa de São Pedro e São Paulo.

Um Consistório que levará à criação de cinco cardeais. Na homília que celebrou na Basílica de São Pedro dirigindo-se aos novos Cardeais disse que “Jesus segue à vossa frente e pede-vos que o sigais decididamente pelo seu caminho. Chama-vos a olhar para a realidade, não vos deixando distrair por outros interesses, por outras perspetivas”. E alertou que “A realidade é a dos campos de refugiados, que às vezes lembram mais um inferno do que um purgatório; a realidade é o descarte sistemático de tudo o que já não é útil, incluindo as pessoas”.

O Papa avançou, aos novos Cardeais, que “Jesus não vos chamou para vos tonardes príncipes na Igreja, para vos sentardes à sua direita ou à sua esquerda. Ele chama-vos para servir como Ele e com Ele, para servir o Pai e os irmãos”. Logo de seguida Francisco chamou a atenção para os “inocentes que sofrem e morrem por causa das guerras e do terrorismo”.

O Santo Padre baseou a sua homilia na passagem do Evangelho sobre os discípulos, na qual se afirma que “Jesus seguia à frente deles”. Para referir que “Jesus caminha, decididamente, para Jerusalém. Sabe bem o que lá O espera [a crucifixão], tendo-o referido várias vezes aos seus discípulos. Mas, entre o coração de Jesus e os corações dos discípulos, há uma distância, que só o Espírito Santo poderá preencher”, disse Francisco.

E lembrou que os “próprios discípulos estão distraídos por interesses não condizentes com a «direção» de Jesus, com a sua vontade que se identifica com a vontade do Pai”. E por isso desejou “Que toda a nossa vida se torne serviço a Deus e aos irmãos”.

Agora o Colégio Cardinalício passa agora a contar com 53 cardeais eleitores criados no pontificado de Bento XVI e 19 no de São João Paulo II.

 

D. Juan José Omella, que saudou o Papa em nome dos novos cardeais, sublinhou na sua intervenção o facto de Francisco escolher representantes de Igrejas “geograficamente distantes”.

Desde 2013, quando os cardeais eleitores da Europa representavam 56% do total, Francisco tem vindo a alargar as fronteiras das suas escolhas, com uma mudança mais visível no peso específico da África, Ásia e Oceânia.

Os novos cardeais são D. Jean Zerbo, arcebispo de Bamaco, Mali; D. Juan José Omella, arcebispo de Barcelona, Espanha; D. Anders Arborelius, bispo de Estocolmo, Suécia; D. Louis-Marie Ling Mangkhanekhoun, vigário apostólico de Paksé, Laos; e D. Gregório Rosa Chávez, bispo auxiliar da Diocese de San Salvador, El Salvador, amigo e colaborador de D. Óscar Romero.

(Com Agência Ecclesia)

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