Papa destaca a paz como “caminho a assumir diariamente”

| 2017-09-01

O acordo para a Paz foi assinado em 2016

Visita à Colômbia

O Papa Francisco desloca-se à Colômbia de 6 a 11 de setembro e apresentará a paz como um “caminho a assumir diariamente”. Por isso, esta visita estará centrada na reconciliação, numa altura, em que o país está em processo de paz depois de mais de 50 anos de guerra civil.

O secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, em declarações à Rádio Vaticano, reafirmou a vontade do Papa em entrar e acompanhar aquela nação, as suas populações, as comunidades cristãs que ali vivem, neste momento, “particularmente importante” da sua história.

O Cardeal avançou que “O Papa, como pastor da Igreja universal, e como líder espiritual, quer estar próximo deste processo, encorajá-lo, para que depois de tanta luta, de tanta destruição, de tanto sofrimento, o povo colombiano, a nação colombiana possa conhecer uma nova realidade, de paz e concórdia”.

A Colômbia viveu uma guerra civil, durante duas décadas, que opôs as forças do governo a grupo guerrilheiros contrários ao regime e que tinha, por base, as divergências sociais e políticas. Em 20 anos morreram 260 mil pessoas e provocaram-se sete milhões de deslocados.

Em setembro de 2016, foi dado o passo decisivo para a resolução do conflito. Foi assinado o acordo de paz entre o Governo do presidente Juan Manuel Santos e as FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o principal grupo guerrilheiro do país.

Mas o problema ainda não está resolvido, pois há grupos como o Exército de Libertação Nacional que ainda não depuseram as armas.

Porém, o Papa Francisco, desde o início do pontificado que se mostrou disponível para ser “uma voz presente na busca da reconciliação” da Colômbia e deixando claro que é preciso construir bases seguras para que, este primeiro acordo seja transformado em algo duradouro.

Neste contexto o lema desta viagem é “Demos o primeiro passo”, uma frase que denota alegria, mas ao mesmo tempo o alerta para o que é preciso fazer, adianta D. Pietro Parolin que frisa que “não basta assinar um documento” para que a paz seja efetiva, é preciso colocá-la em “prática”.

“A paz é um caminho que deve ser assumido diariamente e um caminho que deve congregar a todos, sobretudo no coração e na mente.  Creio que a missão fundamental da Igreja, neste momento, é favorecer a reconciliação. Este é um ponto central, porque a paz não será uma realidade presente, viva e efetiva se não expressar a reconciliação interna do povo colombiano”, aponta o secretário de Estado do Vaticano.

O programa desta visita apostólica prevê a passagem por várias cidades do país, encontros com autoridades políticas e religiosas e eventos simbólicos como o “Encontro de Oração para a Reconciliação Nacional” e a visita à "Cruz da Reconciliação”.

Uma viagem que vai coincidir com “A Semana da Paz” que a Igreja católica da Colômbia assinala nessa semana (3 a 10 setembro).

O presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, D. Oscar Urbina Ortega deseja que, esta visita, do Papa Francisco possa “injetar entusiasmo e reconciliação nos corações dos colombianos”. E mostra-se convicto de que Francisco “tocará os corações de todos os colombianos e lançará uma semente”.

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