Papa diz que “Espírito Santo é o protagonista do discernimento autêntico

| 2017-09-15

O discernimento nasce no coração

Papa com os bispos

O Papa Francisco esteve reunido, na quinta feira, na sala Clementina, no Vaticano, com os bispos que foram ordenados nos últimos 12 meses. O Santo Padre mostrou-se feliz por poder estar neste encontro promovido pela Congregação dos bispos.

Depois centrou o seu discurso no discernimento espiritual e pastoral que é necessário para que o povo chegue ao conhecimento e à realização da vontade de Deus. E realçou que “O Espírito Santo é o protagonista de todo discernimento autêntico”. E acrescentou que “Somente quem é guiado por Deus tem título e credibilidade para ser proposto como guia dos outros. Pode ensinar e fazer crescer no discernimento somente quem tem familiaridade com esse mestre interior que, como uma bússola, oferece os critérios para distinguir, para si e para os outros, os tempos de Deus e sua graça; para reconhecer a sua passagem e o caminho de sua salvação; para indicar os meios concretos, agradáveis a Deus, a fim de realizar o bem que Ele predispõe em seu plano misterioso de amor para cada um e para todos. Essa sabedoria é a sabedoria prática da Cruz, que mesmo incluindo a razão e a sua prudência, as ultrapassa, porque conduz à fonte de vida que não morre, ou seja, conhecer o Pai, o único Deus verdadeiro, e aquele que Ele enviou, Jesus Cristo.”

O Papa Francisco frisou que um Bispo “não pode dar como certo a posse de um Dom tão elevado e transcendente, como se fosse um direito adquirido, sem cair num ministério infecundo”. Isto porque é “preciso implora-lo continuadamente como primeira condição para iluminar toda a sabedoria humana, existencial, psicológica, sociológica e moral que pode nos servir na tarefa de discernir os caminhos de Deus para a salvação daqueles que nos foram confiados”.

Neste sentido, o Santo Padre esclareceu que “O discernimento nasce do coração e na mente do bispo através de sua oração, quando coloca em contato as pessoas e as situações confiadas a ele com a Palavra divina proferida pelo Espírito. É nessa intimidade que o Pastor amadurece a liberdade interior que o torna firme em suas escolhas e em seus comportamentos, pessoais e eclesiais. Somente no silêncio da oração é possível aprender a voz de Deus, encontrar os traços de sua linguagem e ter acesso à sua verdade”.

Porém, para o Papa Francisco “O discernimento é um dom do Espírito à Igreja ao qual se responde com a escuta” e adianta que “O Bispo é chamado a viver o próprio discernimento de Pastor como membro do Povo de Deus, numa dinâmica sempre eclesial, a serviço da comunhão). O bispo não é um pai patrão autossuficiente e nem um pastor solitário amedrontado e isolado.”

Francisco convidou os bispos “a cultivarem o comportamento de escuta, crescendo na liberdade de renunciar ao próprio ponto de vista para assumir o ponto de vista de Deus”.

O Papa também referiu que a missão que espera os Bispos “não é a de trazer ideias e projetos próprios, mas a de oferecer o seu testemunho concreto de união com Deus, servindo o Evangelho que deve ser cultivado e ajudado a crescer no seio das comunidades”.

“Discernir significa, portanto, humildade e obediência. Humildade em relação aos próprios projetos. Obediência em relação ao Evangelho, ao Magistério, às normas da Igreja universal e à situação concreta das pessoas.”

Contudo, o Pontífice aponta que “o discernimento é um remédio contra a imobilidade do ‘sempre foi feito assim’ ou do ‘levar tempo’. É um processo criativo que não se limita a aplicar esquemas. É um antídoto contra a rigidez, pois as mesmas soluções não são válidas em todos os lugares”.

O Papa convidou os bispos a terem uma delicadeza especial com a cultura e a religiosidade do povo, cuidar e dialogar com o povo.

O Papa Francisco também pediu aos bispos que cresçam no discernimento mas alertou que “Uma condição essencial para progredir no discernimento é educar-se à paciência de Deus e aos seus tempos que não são os nossos”.

 

 

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