Papa diz que violência contra mulheres não é normal

| 2018-01-20

A região é designada com o nome muito belo de “Madre de Dios”

O Papa Francisco, na sexta feira, em Puerto Maldonado, esteve reunido na comunidade local, no Instituto Jorge Basadre – no grande campo do Instituto Público de Educação Superior Tecnológico e disse que a violência contra as mulheres não é normal. E afirmou que “Onde há mãe, família e comunidade, os problemas poderão não desaparecer, mas certamente encontra-se força para os enfrentar de maneira diferente”.

Referindo-se, aos momentos de partilha de Arturo e Margarita, que falaram de uma terra esquecida, ferida e marginalizada, o Santo Padre referiu que “Esta terra tem nomes, tem rostos e tem-vos”.

A região é designada com o nome muito belo de “Madre de Dios” (Mãe de Deus). Portanto, o Papa mencionou Maria, uma jovem mulher que vivia numa aldeia remota, considerada por muitos como “Terra de ninguém”. Mas foi lá que ela recebeu a saudação e o convite para que fosse a mãe de Deus e acrescentou que “Há alegrias que só as podem escutar os pequeninos”.

 “Vós tendes em Maria, não só uma testemunha para quem olhar, mas uma Mãe e, onde houver uma mãe, não existe esse mal terrível de sentir que não pertencemos a ninguém, esse sentimento que nasce quando começa a desaparecer a certeza de pertencer a uma família, a um povo, a uma terra, ao nosso Deus. Queridos irmãos, a primeira coisa que gostaria de vos transmitir – e quero fazê-lo com força – é: esta não é uma terra órfã, é a terra da Mãe! E, se há uma mãe, há filhos, há família, há comunidade.”

“É triste constatar que há alguns que querem apagar esta certeza e tornar a Madre de Dios uma terra anónima, sem filhos, uma terra infecunda. Um lugar que se deixe facilmente vender e explorar. Por isso, faz-nos bem repetir nas nossas casas, nas comunidades, no mais fundo do coração de cada um: esta não é uma terra órfã! Tem uma Mãe!”, disse ainda.

Francisco referiu-se mais uma vez à cultura do descarte, explicitando do que se trata: “Uma cultura que não se contenta apenas com excluir, mas que cresceu silenciando, ignorando e rejeitando tudo o que não serve aos seus interesses; parece que o consumismo de alguns não consegue perceber a dimensão do sofrimento sufocante de outros. É uma cultura anónima, sem laços, nem rostos. Uma cultura sem mãe, que só quer consumir.”

“ A terra é tratada dentro desta lógica, acrescentou. As florestas e os rios são aproveitados, utilizados até ao último recurso, e depois deixados como baldios e inúteis. As próprias pessoas são tratadas com esta lógica: são usadas até ao exaustão e depois deixadas como ‘inúteis’. ”

É triste constatar como, nesta terra que está sob a proteção da Mãe de Deus, muitas mulheres sejam tão desvalorizadas, desprezadas e sujeitas a violências sem fim, disse o Pontífice tendo pouco antes afirmado que estamos habituados a usar a expressão “tráfico de pessoas”, mas que, na realidade, deveríamos falar de escravatura.

“Não se pode ‘olhar como normal’ a violência contra as mulheres, mantendo uma cultura machista que não aceita o papel de protagonista da mulher nas nossas comunidades. Não nos é lícito virar a cara para o outro lado e deixar que tantas mulheres, especialmente adolescentes, sejam ‘espezinhadas’ na sua dignidade."

“Encorajo-vos a continuar a organizar-vos em movimentos e comunidades de todos os tipos, para procurar superar estas situações; e também a organizar-vos, a partir da fé, como comunidades eclesiais que vivem ao redor da pessoa de Jesus.”

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