Papa fala de “Missão no coração da Fé Cristã”

| 2017-08-10

O Papa Francisco diz que “Os jovens são a esperança da missão”

Dia Mundial das Missões

A 15 de outubro a Igreja assinala o Dia Mundial das Missões e a missiva do Papa Francisco para este dia já foi divulgada e está subordinada ao tema “A Missão no Coração da Fé cristã”.

No texto o Papa começa por salientar que, este ano, centra-nos na pessoa de Jesus que foi “O primeiro e o maior evangelizador” e que “incessantemente envia-nos a anunciar o Evangelho do Amor de Deus Pai, com a força do Espírito Santo”

Assim sendo, o Santo Padre reafirma que, este ano, convida-nos a refletir sobre “a missão no coração da fé cristã”. E acrescenta que de facto “a Igreja é, por sua natureza, missionária; se assim não for, deixa de ser a Igreja de Cristo, não passando duma associação entre muitas outras, que rapidamente desapareceria”.

É por isso que nos devemos interrogar “Qual é o fundamento da missão? Qual é o coração da missão? Quais são as atitudes vitais da missão?”.

O Papa ainda refere que “A missão da Igreja, destinada a todos os homens de boa vontade, funda-se sobre o poder transformador do Evangelho. Este é uma Boa Nova portadora duma alegria contagiante, porque contém e oferece uma vida nova: a vida de Cristo ressuscitado, o qual, comunicando o seu Espírito vivificador, torna-Se para nós Caminho, Verdade e Vida”.

“E, seguindo Jesus como nosso Caminho, fazemos experiência da sua Verdade e recebemos a sua Vida, que é plena comunhão com Deus Pai na força do Espírito Santo, liberta-nos de toda a forma de egoísmo e torna-se fonte de criatividade no amor”.

O Sumo Pontífice adianta que “Deus Pai quer esta transformação existencial dos seus filhos e filhas; uma transformação que se expressa como culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23-24), ou seja, numa vida animada pelo Espírito Santo à imitação do Filho Jesus para glória de Deus Pai.” reforça o prelado.

Evangelizar e Agir

Portanto, o Chefe da Igreja Católica frisa que a “missão da Igreja não é a propagação duma ideologia religiosa, nem mesmo a proposta duma ética sublime”. Até porque para isso, há muitos outros movimentos capazes de o fazer. No nosso caso “através da missão da Igreja é Jesus Cristo que continua a evangelizar e a agir” e é por isso que, esta missão, “representa o kairós, o tempo propício da salvação na história. Por meio da proclamação do Evangelho, Jesus torna-Se sem cessar nosso contemporâneo, consentindo à pessoa que O acolhe com fé e amor experimentar a força transformadora do seu Espírito de Ressuscitado que fecunda o ser humano e a criação, como faz a chuva com a terra.”

Por conseguinte “O Evangelho é uma Pessoa, que continuamente Se oferece e, a quem, A acolhe com fé humilde e operosa, continuamente convida a partilhar a sua vida através duma participação efetiva no seu mistério pascal de morte e ressurreição. Assim, por meio do Batismo, o Evangelho torna-se fonte de vida nova, liberta do domínio do pecado, iluminada e transformada pelo Espírito Santo; através da Confirmação, torna-se unção fortalecedora que, graças ao mesmo Espírito, indica caminhos e estratégias novas de testemunho e proximidade; e, mediante a Eucaristia, torna-se alimento do homem novo, ‘remédio de imortalidade’”.

Desta forma, através da Igreja, Deus “continua a sua missão de Bom Samaritano, curando as feridas da humanidade, e a sua missão de Bom Pastor, buscando sem descanso quem se extraviou por veredas enviesadas e sem saída”.

Igreja em saída

Nesta base o Papa diz que podemos pensar nas tantas experiências e testemunhos da força transformadora do Evangelho e perceber o quanto ajuda a ultrapassar “os conflitos, o racismo, o tribalismo, promovendo por todo o lado a reconciliação, a fraternidade e a partilha entre todos”.

Para logo de seguida ressalvar que a “missão da Igreja é animada por uma espiritualidade de êxodo contínuo. Trata-se de «sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho”.

Por isso, a Igreja está em continua peregrinação “através dos vários desertos da vida, das várias experiências de fome e sede de verdade e justiça. A missão da Igreja inspira uma experiência de exílio contínuo, para fazer sentir ao homem sedento de infinito a sua condição de exilado a caminho da pátria definitiva, pendente entre o «já» e o «ainda não» do Reino dos Céus.” No fundo a missão “adverte a Igreja de que não é um fim em si mesma, mas instrumento e mediação do Reino”. Portanto, alerta o Papa, uma Igreja que “se compraza com os sucessos terrenos, não é a Igreja de Cristo, seu corpo crucificado e glorioso”.

Por conseguinte o Papa Francisco defende que é preferível ter “uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças”.

Os jovens em missão

Porém, o prelado adianta que “Os jovens são a esperança da missão”, pois eles continuam à procura de caminhos, onde possam concretizar a coragem e os ímpetos do coração ao serviço da humanidade.

O Santo Padre lembra que a próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que terá lugar em 2018 sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional», revela-se uma ocasião providencial para envolver os jovens na responsabilidade missionária comum, que precisa da sua rica imaginação e criatividade.

Quanto às Obras Missionárias Pontifícias defende que são “um instrumento precioso para suscitar em cada comunidade cristã o desejo de sair das próprias fronteiras e das próprias seguranças, fazendo-se ao largo a fim de anunciar o Evangelho a todos”.

Promovido pela Obra da Propagação da Fé, o Dia Mundial das Missões é a ocasião propícia para o coração missionário das comunidades cristãs participar, com a oração, com o testemunho da vida e com a comunhão dos bens, na resposta às graves e vastas necessidades da evangelização.

Na reta final da sua mensagem o papa apela a que façamos “missão inspirando-nos em Maria, Mãe da evangelização.”. Até porque Maria “Movida pelo Espírito, Ela acolheu o Verbo da vida na profundidade da sua fé humilde”. E pede “Que a Virgem nos ajude a dizer o nosso «sim» à urgência de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus no nosso tempo; nos obtenha um novo ardor de ressuscitados para levar, a todos, o Evangelho da vida que vence a morte; interceda por nós, a fim de podermos ter uma santa ousadia de procurar novos caminhos para que chegue a todos o dom da salvação.”.

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