Francisco e Tawadros II assinam Declaração Comum

| 2017-04-29

Francisco e Tawadros II assumem esforço de lutar pela reconciliação plena das duas igrejas

Papa Francisco e Tawadros II (Foto:Reuters /Andreas Solaro / Pool)

O Papa Francisco e Tawadros II, o Papa de Alexandria e Patriarca da Sé de São Marcos assinaram uma declaração comum, depois de terem estados reunidos, no primeiro dia de Francisco, no Cairo, Egipto.

Na declaração Francisco e Tawadros II realçam “os laços de fraternidade e amizade existentes entre a Sé de São Pedro e a Sé de São Marcos” e ainda destacaram que o facto de estarem juntos no Egipto é sinal “de que a solidez do nosso relacionamento tem aumentado de ano para ano e de que estamos a crescer na proximidade, na fé e no amor de Cristo nosso Senhor”. E relembram que “O Egito é o lugar onde a Sagrada Família encontrou refúgio, é terra de mártires e santos.”.

Por isso, consideram, nesta declaração, que o testemunho cristão que compartilham “é um sinal providencial de reconciliação e esperança para a sociedade egípcia e suas instituições, uma semente semeada para frutificar na justiça e na paz”. E como acreditam que o Homem foi criado à imagem de deus, defendem que é preciso redobrar os esforços para promover “a coexistência pacífica entre cristãos e muçulmanos”. E adiantam que têm “a peito a prosperidade e o futuro do Egito”. Por fim, reforçam que “A liberdade religiosa, que engloba a liberdade de consciência e está enraizada na dignidade da pessoa, é a pedra angular de todas as outras liberdades. É um direito sagrado e inalienável.”.

Plena Comunhão

Na declaração é lembrada a “plena comunhão” que existia entre as duas igrejas, nos primeiros séculos, e que se manifestava através da “oração e práticas litúrgicas semelhantes”.

E adiantam que “Esta experiência comum de comunhão”, anterior ao tempo de separação, assume “um significado especial na nossa busca atual do restabelecimento da plena comunhão”, entre a Igreja Católica e a Igreja Copta Ortodoxa, que recentemente “foram revitalizadas”.

Com esta admissão, o Papa Francisco e Tawadros II assumem que é possível continuar no caminho do diálogo de aproximação, pelo que têm em comum, respeitando as diferenças.

Até porque, e recordando, a Declaração Comum, assinada em 10 de maio de 1973, pelo Papa Paulo VI e Papa Shenouda III, que foi o ponto de partida para a instituição da Comissão de Diálogo Teológico, os atuais chefes da Igreja católica e ortodoxa, assumem que “professam uma só fé no Deus Uno e Trino e a divindade do Unigénito Filho de Deus (...) perfeito Deus, quanto à sua divindade, e perfeito homem quanto à sua humanidade”. É ainda reconhecido que “a vida divina é-nos dada e alimentada em nós pelos sete sacramentos e que veneramos a Virgem Maria, Mãe da verdadeira Luz, a Theotókos”.

Os dois Papas também recordam “o encontro fraterno” que tiveram, em Roma, a 10 de maio de 2013 e a instituição do dia 10 de maio, como jornada anual em que “aprofundamos a amizade e a fraternidade entre as nossas Igrejas. Este renovado espírito de proximidade permitiu-nos discernir ainda melhor como o vínculo que nos une foi recebido de nosso único Senhor no dia do Batismo. Com efeito, é através do Batismo que nos tornamos membros do único Corpo de Cristo que é a Igreja (cf. 1 Cor 12, 13). Esta herança comum é a base da peregrinação que juntos realizamos rumo à plena comunhão, crescendo no amor e na reconciliação” lê-se no documento.

Os líderes religiosos estão conscientes que ainda há “tanto caminho para fazer”, mas recordam que “já muito foi alcançado”. E recuam ao encontro entre o Papa Shenouda III e São João Paulo II que se deslocou ao Egipto, como peregrino, durante o Grande Jubileu do ano 2000.

Unidade de Igrejas 

Na declaração comum, Francisco e Tawadros II assume o compromisso de estarem “determinados a seguir os seus passos, movidos pelo amor de Cristo Bom Pastor, na convicção profunda de que, caminhando juntos, crescemos em unidade. Para isso auferimos a força de Deus, fonte perfeita de comunhão e de amor.”. Um Amor que encontra a sua expressão maior “na oração comum” porque quando os cristãos rezam juntos “chegam a compreender que aquilo que os une é muito maior do que aquilo que os divide”. E acrescentam que “O nosso desejo ardente de unidade encontra inspiração na oração de Cristo”.

Fica ainda garantida neste documento a vontade de rezarem juntos para procurar “traduções comuns do Pai Nosso e uma data comum para a celebração da Páscoa”. Ambos reconhecem que, as circunstâncias atuais, os encorajam “a aprofundar o estudo dos Padres Orientais e Latinos e promover um frutuoso intercâmbio na vida pastoral, especialmente na catequese e num mútuo enriquecimento espiritual entre comunidades monásticas e religiosas”.

Oração conjunta

E tendo por base o local deste encontro: o Egipto, vão intensificar a oração “incessante por todos os cristãos no Egito e em todo o mundo, especialmente no Médio Oriente”. E não esquecendo os atentados recentes contra os cristãos sentem que “o ecumenismo dos mártires nos une e encoraja no caminho da paz e da reconciliação”.

E declararam mutuamente que “com uma só mente e coração, procuraremos sinceramente não repetir o Batismo administrado numa das nossas Igrejas a alguém que deseje juntar-se à outra. Isto confessamos em obediência às Sagradas Escrituras e à fé expressa nos três Concílios Ecuménicos reunidos em Niceia, Constantinopla e Éfeso. Pedimos a Deus nosso Pai que nos guie, nos tempos e modos que o Espírito Santo dispuser, para a unidade plena no Corpo místico de Cristo”.

Declaração Comum na integra

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