Terminou a viagem do Papa à Colômbia

| 2017-09-11

Cinco dias de diálogo pela reconciliação

Termina viagem Papa Francisco à Colômbia (Foto: Lusa)

 O Papa Francisco concluiu, no domingo, uma viagem de cinco dias à Colômbia, como “peregrino da Esperança e da paz” em favor da reconciliação nacional, num país que procura a paz, após mais de 50 anos de guerra civil.

O Santo Padre, na hora do adeus, na zona portuária da cidade de Catagena pediu: “Colômbia, o teu irmão precisa de ti! Vai ao seu encontro, levando o abraço da paz, livre de toda a violência”.

O Pontífice manifestou ainda, perante o presidente da república e de autoridades civis, o desejo de “Que este esforço [de paz] nos faça fugir de qualquer tentação de vingança e busca de interesses particulares e de curto prazo”.

A mesma mensagem foi deixada aos jovens, desafiados a perdoar, depois dos momentos “difíceis e obscuros” que o país viveu, em busca de uma paz “autêntica e duradoura”.

O Papa encontrou-se com os bispos da Colômbia, chamados por ele a estar na linha da frente contra a violência e corrupção no país, falando depois do “rosto mestiço” da Igreja Católica, perante os membros do Comité Diretivo do Conselho Episcopal Latino-Americano.

Ainda em Bogotá, Francisco presidiu a uma Missa para mais de um milhão de pessoas tendo deixado gestos e palavras em defesa da vida.

O terceiro dia da viagem foi centrado nas vítimas do conflito, com várias celebrações em Villavicêncio, na região oriental, como a beatificação de D. Jesús Emilio Jaramillo e do padre Pedro Maria Ramírez, assassinados no século XX.

Centenas de milhares de pessoas viram o Papa reforçar o apelo à reconciliação do país e à rejeição da “vingança”, numa Missa com a presença de soldados, agentes da polícia e ex-guerrilheiros, além de representantes das 102 comunidades indígenas.

“Qualquer esforço de paz sem um compromisso sincero de reconciliação será um fracasso”, advertiu.

 

Um dos pontos altos do programa foi a “grande vigília” de oração pela reconciliação nacional da Colômbia, na presença de 6 mil vítimas do conflito armado.

"O ódio não tem a última palavra", disse Francisco, depois de ouvir, com a multidão, os testemunhos de pessoas atingidas pela guerra civil das últimas décadas e de ex-combatentes.

Nova multidão esperava o Papa em Medellín, onde o dia começou com uma mensagem centrada na comunidade católica e na necessidade de “renovação” da Igreja.

O pontífice visitou depois uma instituição de acolhimento para crianças desfavorecidas, na qual alertou para o “sofrimento injusto” de menores em todo o mundo.

Ainda na cidade-símbolo do narcotráfico, Francisco evocou a “memória dolorosa” das vítimas da droga, apelando à “conversão” dos traficantes.

O Papa deixou mensagens em defesa da dignidade das mulheres, das vítimas do tráfico humano, do ambiente e das comunidades afroamericanas, particularmente evocadas em Cartagena, antigo mercado de escravos.

Francisco prestou homenagem ao jesuíta espanhol São Pedro Claver, missionário que no século XVII dedicou a sua vida à defesa dos escravos vindos de África.

Outro tema presente na viagem foi a situação na vizinha Venezuela, com uma mensagem contra a violência e pelo fim da “grave crise” política que afeta o país.

A viagem, que foi acompanhada por milhões de pessoas nas celebrações ao ar livre e nas ruas por onde passou o papamóvel, concluiu-se com a Missa na área do porto de Cartagena, com nova mensagem contra o narcotráfico.

(Com Agência Ecclesia) 

 

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