Vaticano acolhe congresso sobre «o futuro da União Europeia»

| 2017-10-26

O tempo é “de busca”, de perceber o que se quer para a Europa “no futuro, nos próximos 20 ou 50 anos”.

Papa Francisco

“Repensar a Europa: contribuição cristã para o futuro da União Europeia” é o tema do congresso que terá lugar a partir desta sexta feira (27 outubro), no Vaticano, por iniciativa da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE).

Um congresso a decorrer na Sala Nova do Sínodo e que contará com a presença do Papa Francisco, até porque também assinala o 60.º aniversário da assinatura dos tratados que estiveram na origem da atual UE.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o presidente da COMECE, cardeal Reinhard Marx, salienta a importância da Igreja Católica dar um sinal de “coragem” e de “confiança” ao projeto europeu, numa altura em que este enfrenta grandes desafios.

“A Europa deve continuar em sua evolução, inclusive e propriamente por causa das crises do passado. Não podemos voltar para trás. É claro que é preciso muita coragem, a Europa já não é mais aquele lugar solarengo de há anos atrás. Há menos otimismo, menos vontade de uma vida em comum; pelo contrário, os sinais indicam uma tendência para a divisão”, salienta aquele responsável.

O arcebispo alemão refere-se implicitamente a situações como o brexit, a vontade do Reino Unido em sair da UE, ou a crise de refugiados que fez repensar a questão das fronteiras no Velho Continente, e os laços entre os países.

Para o presidente da COMECE, o tempo é “de busca”, de perceber o que se quer para a Europa “no futuro, nos próximos 20 ou 50 anos”.

E nesse contexto, “a Igreja quer dar o seu contributo”, recordando que “a Europa é um projeto, um projeto ao qual não se pode renunciar”, porque nasceu de uma génese “única”.

O ideal de “povos e nações renunciarem a uma parte da sua soberania para trabalhar juntos e nunca mais fazer a guerra uns contra os outros”.

Desafios como as alterações climáticas e a pobreza, “não esquecer” os mais carenciados, a necessidade de “uma maior solidariedade e subsidiariedade em favor da Europa”, o “diálogo” à volta dos “valores fundamentais sobre os quais a Europa se baseia”, todos estes aspetos serão abordados ao longo dos três dias do congresso.

O responsável pela COMECE reconhece que contar com o Papa Francisco será uma riqueza, no sentido em que deste modo todas as mensagens sairão mais reforçadas.

 

 

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