Crianças em situação de rua - O Caso do IAC/Projecto Rua em família para crescer

| 2017-06-29

Matilde Sargado "não há crianças de rua mas há fugas de jovens"

somos físicos

A coordenadora do "Projeto Rua", do Instituto de Apoio à Criança, afirmou que "já não há crianças de rua", mas alertou para as fugas de jovens, um fenómeno preocupante por estar associado a problemas "muito graves". Matilde Sargado, autora do livro "Crianças em situação de rua - O Caso do IAC/Projecto Rua em família para crescer", agora lançado, acompanha esta realidade que pretende dar a conhecer através da sua obra, apresentada em Lisboa. As fugas que são um novo fenómeno que preocupa a sociedade, disse à agência Lusa Matilde Sargado. Esta situação é preocupante porque "está associada a outras problemáticas muito mais graves", que devido à situação de vulnerabilidade em que se encontram, os jovens podem tornar-se vítimas de tráfico de seres humanos. Podem também ser "cooptados para práticas, como a prostituição infantil", mas também para "exploração do trabalho infantil nas suas piores formas, desde a mendicidade, utilização para tráfico e a violência sexual", alertou. O IAC tem vindo a fazer um trabalho de diagnóstico com as principais zonas da cidade de Lisboa onde esta realidade acontece e continua a encontrar jovens, principalmente dos 14 aos 18 anos, em "situação de vulnerabilidade nas ruas". Estes jovens são "vítimas da sociedade, mas podem passar rapidamente a infratores" se estiverem desprotegidos e sem um apoio e um enquadramento institucional. Matilde Sargado salientou que a intervenção junto destas crianças e jovens tem sido uma prioridade do Instituto de Apoio à Crianças, em parceria com o Estado e com outras instituições. O IAC realiza esta intervenção há 25 anos, através de um projeto de intervenção direta no local que pretende recuperar crianças vulneráveis, que o livro de Matilde Sargado pretende dar a conhecer aos portugueses. O livro pretende alertar a sociedade para a necessidade de continuar a agir e mostrar "os resultados desta intervenção que foram francamente positivos". Apesar de ter havido, uma "grande melhoria" no combate ao fenómeno, uma prioridade nas medidas da União Europeia, Matilde Sargado considera que "ainda há muito por fazer, porque é uma realidade que está invisível".

Lusa/ MM

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