Dia Mundial dos Refugiados

| 2017-06-20

Estudo do Alto Comissariado para os Refugiados ACNUR da ONU, assinala Dia Mundial dos Refugiados

Dia Mundial dos Refugiados (Foto: Correio do Ribatejo)

O número de pessoas que foram forçadas a abandonar as suas casas devido à guerra, violência ou perseguição atingiu um valor recorde em 2016, de 65,6 milhões de deslocados internos ou refugiados, revela a ONU. Trata-se de um ligeiro aumento face 2015.Este número indica que, em média, uma em cada 113 pessoas em todo o mundo, ou mais do que a população do Reino Unido, vive atualmente deslocada. Dois terços são deslocados internos, ou seja, no seu próprio país, 40,3 milhões contra 40,8 milhões em 2015. A Síria, o Iraque e a Colômbia representam os principais focos de deslocamentos internos, com 22,5 milhões no total, dos quais mais de metade são crianças. O número de refugiados registados no ano passado figurou, em contrapartida, como o mais elevado de sempre. Já o número de requerentes de asilo ascendeu a 2,8 milhões. O conflito na Síria, que começou em 2011, continua a gerar o maior número de refugiados, 5,5 milhões no total, com perto de 825.000 novos registos em 2016, indica o relatório do Alto Comissariado para os Refugidos - ACNUR, para assinalar o Dia Mundial do Refugiado, 20 de junho. É manifestada particular preocupação com o panorama no Sudão do Sul. Verifica-se uma rápida deterioração da situação no Sudão do Sul, “depois do catastrófico fracasso dos esforços de paz em julho”. A crise de deslocamentos forçados no Sudão do Sul é a que “conhece o crescimento mais rápido no mundo”, alertou os Alto Comissário para os refugiados da ONU, Filippo Grandi. Independente desde 2011, o Sudão do Sul mergulhou, em dezembro de 2013, numa guerra civil que fez dezenas de milhares de mortos e obrigou mais de 3,4 milhões de pessoas a fugirem das suas casas. Ao somar e subtrair os novos deslocamentos forçados pelos regressos e reassentamentos retira-se, segundo o ACNUR, uma “boa notícia”, a de que o número total de deslocamentos forçados no final de 2016 foi de “apenas” mais 300 mil pessoas, quando nos cinco anos anteriores o aumento foi na ordem dos milhões. A Síria continua a ser o país com mais deslocados do mundo, com 12 milhões, ou seja, quase dois terços da sua população. Sem ter em conta os refugiados palestinianos, que são 5,3 milhões  de deslocados há décadas, o segundo país com maior população refugiada é o Afeganistão com 4,7 milhões, seguindo-se o Iraque com 4,2 milhões, e o Sudão do Sul representa 3,3 milhões. O relatório do ACNUR divulgado pela Lusa, observa ainda que 84% dos refugiados no mundo vive em países de rendimentos baixos ou médios e que um em cada três é acolhido por países menos desenvolvidos. O relatório mostra que 75 mil crianças não acompanhadas por adultos pediram asilo em países terceiros, mas o ACNUR acredita que o número de menores emigrantes ou deslocados forçados é muito mais elevado. Existem em todo o mundo 10 milhões de pessoas que não têm qualquer nacionalidade ou que se encontram em risco de se tornarem apátridas.

Lusa/ MM

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