Incêndios: NERLEI lamenta falta de prevenção

| 2017-10-20

Uma calamidade sem fim

Pinhal de Leiria

A NERLEI – Associação Empresarial da Região de Leiria, em comunicado, enviado à Angelus TV, “lamenta a falta de trabalho de preservação da floresta e exige medidas”. E alerta para o facto de que “o Estado, enquanto proprietário da maior mancha florestal do distrito de Leiria – A Mata Nacional do Pinhal do Rei – não ter cuidado desse património de forma conveniente nem preservado a floresta, nomeadamente não ter procedido à sua limpeza e manutenção, nem cuidado das suas estradas apesar das elevadas receitas que dai retira”.

A NERLEI afirma que se a limpeza tivesse sido feita “não se teria perdido cerca 80 por cento da sua área. Os prejuízos originados nas receitas futuras, em madeira, são incalculáveis. Acresce um impacto ambiental de efeitos imprevisíveis no ecossistema. O turismo da Região e o bem-estar das populações está irremediavelmente comprometido, devido à devastação da paisagem florestal destes concelhos”, lê-se no mesmo documento.

No mesmo comunicado a Associação Empresarial da Região de Leiria recorda que “o Estado, através Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), tem sido um obstáculo ao alargamento da Zona Industrial do Casal da Lebre, na Marinha Grande, impedindo assim a expansão de algumas unidades industriais e a implantação de outras com o argumento da preservação da natureza, o que no caso da Mata Nacional do Pinhal do Rei não fez enquanto proprietário”.

Por isso, a NERLEI exige que “o Estado cumpra o seu papel de proprietário na manutenção da floresta ainda não ardida e na reflorestação e reorganização da floresta que se perdeu, de acordo com critérios que evitem futuras catástrofes”.

A Associação também apresenta o balanço que fez dos prejuízos causados pelos fogos florestais, nos concelhos da sua área de ação.

No Concelho de Alcobaça arderam 3000 ha de floresta de pinheiro que representa a perda de milhões de euros. São centenas de proprietários afetados, tal como o município e o próprio Estado. O impacto no concelho é essencialmente agrícola e florestal.

No Concelho de Pombal arderam 5 a 6 mil ha de floresta pública e privada e ainda grande parte da Mata Nacional do Urso.

No Concelho da Marinha Grande a Empresa Vincarte ardeu na totalidade, ficando em risco oito postos de trabalho. O empresário pretende mantê-los, estando a procurar reerguer a empresa.

A Empresa Bollinghaus Steel foi afetada, mas a sua atividade não está comprometida e o Parque de Campismo Municipal de Vieira de Leiria ardeu.

Neste momento, cerca de 8.000 ha que arderam no concelho, tendo afetado a Mata Nacional do Pinhal do Rei e área urbana também.

Várias empresas suspenderam a sua atividade por precaução e também pelo risco de inalação de fumo proveniente do incêndio.

No Concelho de Leiria ardeu área florestal nas localidades de Carvide, Coimbrão (Lagoa da Ervideira), Monte Real (Serra de Porto Urso) e Monte Redondo que ainda não é possível quantificar.

Recorde-se que, em 2017, distrito de Leiria foi gravemente afetado por incêndios com uma extensa área ardida. Em junho foi o Interior Norte (Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere e Castanheira de Pera) e este fim de semana a sua zona mais central e Litoral (Alcobaça, Marinha Grande, Leira e Pombal). Desta vez não houve vidas humanas a lamentar, mas os prejuízos, sobretudo florestais são imensos com a perda de cerca de 80% da Mata Nacional do Pinhal do Rei, uma das maiores e mais antigas manchas de pinheiro do País.

 

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