Orfeão de Leiria lança “Incluir com Arte” para combater a exclusão social

| 2017-11-03

Programa vai levar o ensino da música e da dança a crianças e jovens excluídos

 “Giróquestra”, “Danç’Arte”, “Artes & Autismo”, e “Abraç’Artes – Interculturalidade” são os projetos de cariz social que integram o “Incluir com Arte”, um programa que o Orfeão de Leiria Conservatório de Artes (OLCA) apresentou esta segunda-feira, dia 30 de outubro, em conferência de imprensa no CDIL – Centro de Diálogo Intercultural de Leiria. O “Incluir com Arte” quer combater a exclusão social e promover a integração de todos pelas artes, fazendo chegar o ensino da música e da dança a jovens e crianças de comunidades estrangeiras, ciganas, a jovens institucionalizadas e a crianças com autismo, contribuindo para a sua formação social e artística, e promovendo igualmente a cooperação e convívio intercultural.

«A música e a dança podem ser motores fundamentais para o que chamamos coesão social», afirmou Acácio de Sousa, presidente do OLCA, explicando que a instituição que preside procurou «lançar projectos nas várias vertentes sociais tendo o cuidado de não fazer um trabalho para nichos de pessoas diferentes», esclarecendo que «o trabalho com estes grupos será específico, mas a apresentação será em conjunto com os nossos alunos do sistema regular de ensino de música e dança».

Sobre o Giróquestra, Mário Teixeira, diretor pedagógico da Escola de Música de Orfeão de Leiria (EMOL) explica que, numa primeira fase, as crianças estão a ter contacto com os instrumentos, pois a ideia é que «sintam vontade de tocar estes novos instrumentos» e «alguns mostram capacidade de tocar qualquer um deles. São muito “desenrascados”», garante. Este projeto, direcionado para a inclusão de crianças de etnia cigana, é desenvolvido em parceria com a associação InPulsar, no âmbito do “Giro ó Bairro”, financiado pelo POISE (Programa Organizacional de Integração Social e Emprego) e terá a duração de três anos, tendo como objetivo a criação de uma orquestra juvenil conjunta com os alunos do OLCA, através da fusão entre música cigana e a música erudita ou de tradição europeia.

Por sua vez, Ana Vale, diretora pedagógica da Escola de Dança do Orfeão de Leiria (EDOL), responsável também pela coordenação do projeto Danç’Arte, que integra jovens do Lar de Santa Isabel entre os 12 e os 14 anos, explica que «através de aulas de dança contemporânea e oficina coreográfica, queremos que se sintam bem com elas próprias e, mais tarde, que trabalhem com alunas do ensino articulado». A professora de dança refere ainda que às alunas ser-lhes-á «dada liberdade de criação», pois «a arte é uma forma de demonstração das emoções». Este projeto irá culminar com a criação de um espetáculo conjunto com os alunos de dança do OLCA, e estão, segundo Conceição de Sousa, responsável pelo Lar, está já a criar muito entusiasmo junto das novas bailarinas.

O “Artes & Autismo”, destinado a crianças autistas, com o objetivo de estimular a sua criatividade e bem-estar emocional e social através da música, também já está em curso, em parceria com a APPDA – Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Leiria. O objetivo final deste projeto, que conta já com 11 crianças inscritas, passa pela construção de uma peça de musical a exibir ao público no dia 24 de novembro, no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, como forma de sensibilizar a sociedade para as potencialidades das pessoas com autismo e promover a sua inclusão. Este projeto conta com o financiamento do Instituto Nacional para a Reabilitação.

Já o “Abraç'Artes” – Interculturalidade conta com o apoio do Alto Comissariado para as Migrações, I.P. (ACM), financiado pelo Fundo Asilo, Migração e Integração (FAMI), para promover a interculturalidade através da música e da dança entre os alunos de diferentes nacionalidades, bem como o reconhecimento e valorização da diversidade cultural como uma fonte de oportunidade e aprendizagem para todos. Este programa foi aberto a Escolas do Programa REEI (Rede de Escolas para a Educação Intercultural), uma iniciativa conjunta do Alto Comissariado para as Migrações, I.P. (ACM, I.P.), do Ministério da Educação, através da Direção-Geral da Educação (DGE) e da Fundação Aga Khan Portugal (AFK). «Há já contactos muito entusiasmantes», revela Acácio de Sousa, recordando ainda que o OLCA tem matriculados alunos da Ucrânia, Rússia, Chile, Bielorrússia, Egito, Azerbaijão, Brasil, entre outros países.

O presidente do OLCA considera que, «enquanto instituição de referência no âmbito do ensino artístico em Leiria e na região centro, temos a missão de difundir e promover o acesso à cultura junto da comunidade». Para o responsável desta instituição, «estando o Orfeão de Leiria numa cidade que pretende ser candidata a Capital Europeia da Cultura 2027, e que se quer como uma referência e um exemplo de boas práticas ao nível da dinamização cultural, deverá posicionar-se como percursor de cultura para todos, quebrando as barreiras que muitas vezes a associam a um “privilégio” de elites, quer no que toca o ensino, quer no que toca a fruição».

Os projetos dinamizados no âmbito do programa “Incluir com Arte” contam com o envolvimento de várias entidades, em torno da missão de explorar a cultura como instrumento de combate à exclusão social, em diversas vertentes. Cada um dos projetos é, portanto, adaptado aos diferentes contextos a que estão sujeitos as crianças e jovens a eles destinados.

«A intenção já manifestada pela autarquia leiriense de candidatar a cidade a Capital Europeia da Cultura 2027, não sendo o elemento fundamental para a realização deste tipo de iniciativas, é por si só, um elemento impulsionador do envolvimento das “forças vivas” da cidade em torno da missão tornar a cultura acessível a todos e explorar assim as suas diversas vertentes, entre elas a componente social», conclui Acácio de Sousa. Para Anabela Graça, vereadora da Educação da Câmara Municipal de Leiria, manifestou o agradecimento do município aos parceiros dos projetos apresentados e referiu que, além das mais-valias que possam vir a ser apuradas no decorrer do seu desenvolvimento, os ganhos já existem, e estão no entusiasmo e na felicidade dos novos alunos.

Partilhe esta notícia

Subscreva a nossa newsletter