Bispos venezuelanos criticam regime e pedem ajuda à comunidade internacional

| 2019-03-14

Cáritas denuncia «recuo» histórico, após apagão que atinge o país

Foto: Lusa

 

 A arquidiocese venezuelana de Ciudad Bolívar, região responsável pela maioria da produção hidroelétrica no país, criticou o governo de Nicolás Maduro pela incapacidade de responder ao “apagão” que afeta várias cidades.

“O responsável por esta situação é o regime, que procura culpados onde não existem, para fugir ao desastre que causou. São momentos cruciais para a nação e os venezuelanos exigem uma mudança urgente que leva o país ao longo do caminho de progresso e paz, na justiça e na democracia”, assinala a nota divulgada pelos serviços de comunicação da Conferência Episcopal Venezuelana.

O texto fala num “sequestro de poder” por parte de Nicolás Maduro, à custa de “sofrimento, humilhação e morte do povo”.

Já o bispo e o conselho presbiteral de San Cristóbal pedem ao Governo que deixe de “brincar com os sentimentos das pessoas.”

“Nenhuma explicação convincente foi dada e, em vez disso, tem sido mostrada uma incapacidade de resolver a situação e também de comunicar a verdade”, realça uma nota oficial, divulgada pela diocese venezuelana.

A Venezuela está às escuras desde a última quinta-feira, na sequência de uma avaria na central hidroelétrica de El Guri, a principal do país, que afetou ainda dois sistemas secundários e a linha central de transmissão.

A Cáritas do país sul-americano fala num “colapso”, com um “impacto inegável” na população.

Em nota a que a Agência ECCLESIA teve acesso, a organização católica fala no “recuo mais grave de que os venezuelanos têm memória”, perante o acumular de problemas económicos, políticos e sociais.

D. Rodríguez Méndez, bispo de San Carlos, apela, em comunicado, aos responsáveis militares, para que fiquem ao lado da população e defendam os “interesses coletivos” da nação.

O responsável dirige-se também à comunidade internacional, denunciando a “flagrante violação dos Direitos Humanos na Venezuela” e pedindo que a ajuda humanitária se concretize “no curto prazo”

“A agonia deste povo que sofre vai deixando todos os dias vítimas mortais nesta estrada para a provação que estamos a atravessar”, escreve, antes de apelar à abertura de um “caminho para A liberdade e a democracia”.

A falha no sistema de eletricidade já levou a população a consumir água poluída e alimentos estragados.

Nicolás Maduro diz que o apagão é o resultado de “ataques eletromagnéticos e cibernéticos” orquestrados a partir dos EUA, com a conivência da oposição venezuelana.

O presidente interino Juan Guaidó pediu na segunda-feira que fosse declarado o estado de emergência, por causa dos problemas com o fornecimento de energia.

(Agência Ecclesia/OC)

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