O Papa que veio do fim do mundo

| 2018-03-13

Misericórdia é palavra chave

O Papa Francisco foi eleito a 13 de março de 2013, após a renúncia do, agora, Papa Emérito, Bento XVI.

Um dia cheio de surpresas para o mundo. Primeiro porque ninguém esperava a eleição de um Papa argentino e jesuíta e muito menos que escolhesse o nome de Francisco, lembrando São Francisco de Assis que sempre cuidou dos pobres. Logo aí deixou claro que nada mais seria igual, em Roma, e disse desejar uma Igreja com as portas abertas que saiba anunciar a todos a alegria do evangelho.

Cinco anos de um pontificado alucinante com 22 viagens internacionais realizadas, por mais de 30 países, além de 17 visitas pastorais em Itália.

Escreveu duas encíclicas: Lumen Fidei, sobre a fé e Laudato Si, sobre o cuidado da Casa Comum, deixando claro que cuidar da criação é um dever dos cristãos.

O Papa Francisco também escreveu duas Exortações Apostólicas: Evangelii Gaudium, texto programático do Pontificado para uma Igreja missionária em saída e Amoris Laetitia sobre o amor da Família.

Deu início à reforma da Cúria Romana, impôs uma gestão transparente a nível económico, à reforma do processo de nulidade matrimonial, à tradução de textos litúrgicos, com indicações para uma maior descentralização e mais poderes às Conferências Episcopais.

E porque Francisco não fica quieto, já realizou dois Sínodos sobre a Família, um Jubileu dedicado à Misericórdia e oito ciclos de catequeses, em audiência de geral da quarta feira, sobre: Profissão de fé, Sacramentos, Dons do Espírito Santo, Igreja, família, misericórdia, esperança cristã, Santa Missa. Já fez quase 600 homilias, sem texto nas Missas realizadas na Capela da Casa Santa Marta.

Tem mais de 46 milhões de seguidores da rede social Twitter e mais de 5 milhões no Instagram.

É este o Papa que deseja uma Igreja acolhedora, onde há espaço para todos. Uma Igreja acidentada e que corre riscos, para chegar ao meio do povo.

Uma Igreja que se deixa surpreender pelo Espírito Santo e por isso em Istambul disse: o Espírito Santo “perturba”, porque “move, faz caminhar, empurra a Igreja a ir para frente”, enquanto é muito mais fácil e mais seguro” reclinar-se nas próprias posições estáticas e inalteradas”.

O estilo do Papa Francisco não agrada a todos e por isso as vozes críticas estão fora e dentro da Igreja. Até porque ser uma Igreja Missionária em saída, incomoda muita gente.

Francisco promove a cultura do encontro, em campo ecuménico, inter-religioso, na frente social e política e no nível meramente humano. Ele move-se em direção à unidade, mas sem cancelar as diferenças e as identidades. Teve um papel importante no degelo entre os Estados Unidos e Cuba, assim como no processo de paz na Colômbia e na África Central. Ataca quem fabrica e vende armas. Ao mesmo tempo denuncia fortemente as perseguições dos cristãos, talvez hoje mais graves do que ontem, no “silêncio cúmplice de tantas potências” que podem detê-las. Lança apelos contra o tráfico de seres humanos, “uma nova forma de escravidão”.

Por isso, misericórdia é uma palavra forte deste pontificado, onde também é pedido menos clericalismo na Igreja e mais espaço aos leigos, mulheres e jovens.

O Papa pede a todos os cristãos que sejam “evangelizadores com Espírito” para “anunciar a novidade do Evangelho com audácia, em voz alta e em todos os momentos e lugares.

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